Seção restrita

Ansiedade e depressão são doenças mentais que Taiana Homobono e Thaís Braga conhecem de perto. Em parte, porque sofrem na pele. Quando o combo medicamentos e psicoterapia não são suficientes, as palavras ajudam a elaborar algumas dores.

Dos poucos que nos aproximam, duas coisas são certas: fascínio pelo mundo bruxo de JK e vontade de matar quem inventou o ciclo menstrual. Sei que, aqui, nós entramos numa briga com a galera do sagrado feminino, com as companheiras que veem o copo coletor meio cheio. Porém, em todos esses anos de indústria vital, período sempre significou: péssimo humor (que já não é dos mais estáveis); peitos do tamanho de melancias; espinhas no rosto, no busto e nas costas; ligeiro inchaço na barriga; cólicas infernais que me fazem, todas as vezes, rezar para, na próxima, vir homem; e uma espera interminável, pois entre os sintomas e sangria desatada, todo dia pode ser “o dia”.

Recentemente, a partner questionou aqui a real necessidade de, segundo a literatura médica e as mais sortudas (não me incluo), a cada 28 dias, bingo! Não sinto que fico impedida de fazer algo. Se eu quiser correr uma maratona, basta colocar o tampão correto e, vamos lá! Aliás, pausa para mim que achava que usar os modelos internos era a revolução dos bichos. Quanta modernidade!! A exceção dos sintomas supracitados, era como se o período sequer existisse. Com o detalhe de que existia, sim.

Lembro-me que, numa consulta ginecológica, ainda na Cidade das Mangueiras, fui terminantemente proibida de colocar um DIU e de aderir à “moda” do coletor menstrual. Veja bem, dizia o “senhor doutor”, o clima quente e úmido de Belém não favorecia esse tipo de contracepção/higiene. Deveria continuar comprando os tais tampões externos e, se quisesse mesmo prevenir um baby, poderia aderir ao anel vaginal (cuja função de liberar os hormônios diretamente no colo do útero, em muito, assemelhava-se ao DIU) pela bagatela de 50 reais/mês (por acaso, ele tinha uma amostra ao alcance da mão).

O que eu mais odeio nos médicos é que tenho a impressão de que eles não querem o que é melhor para o paciente, mas sim torná-los dependentes da indústria farmacêutica. E o que eu mais odeio no período é o desequilíbrio que me causa. 

A meia dúzia de leitores deste site sabe que eu tenho grande dificuldade em lidar com emoções, com adversidade, com brigas etc. O período é aquele período (rá!) do mês em que as emoções estão à flor da pele e eu sinto que devo pedir desculpas por existir (e também porque eu faço tudo errado – causo brigas desnecessárias, choro desnecessariamente, critico minha aparência mais que o normal). Ainda assim, nenhuma dessas razões é o bastante para me fazer aderir ao uso de um anticoncepcional oral. Tomo tantos medicamentos há tantos anos que, vira mexe, tenho a sensação de não saber quem eu sou. Aí, salve-se quem puder!! É tiro, porrada e bomba verbais para todo o canto. Não culpo as pessoas ao meu redor por quererem ir embora. Se eu pudesse, eu também iria embora de mim mesma.

Lá nas aulas de Educação para o Lar, na 5ª série, no colégio Santa Teresinha, tive uma aula em que explicou a diferença entre “estar doente” e “ser doente”. Sei que vivo doente, porque meus amigos Dementadores não me largam. No período, essa noção aflora-se. Tenho nítida consciente de que sou uma pessoa doente e, sabem o que é pior? Não sinto que haja cura para tal(is) mal(es). Los Hermanos estavam certos: a gente só queria um amor. E, também, sentir-se um bocadinho bem. Não o dia todo, mas, pelo menos, todo dia. Mas Deus parece, às vezes, esquecer-se.