Literal

Na busca por um lugar no mundo das palavras, a seção reúne textos em prosa e com poesia. São contos, crônicas, tentativas de folhetins. Histórias inspiradas na própria vida e, também, imaginadas pelas cabecinhas adolescentes de Taiana Homobono e de Thaís Braga.

Antes mesmo de voltar de viagem, já sabia o resultado. Não, não seria aprovada na seleção a qual estava me submetendo. Mas ela me desejou boas energias desde o começo – desde sempre, talvez. Ainda que envergonhada pelo meu fracasso, precisava informá-la que não seria daquela vez. “Lê ‘Faça boa arte’, do Gaiman”, foi o conselho que ela me deu. E, assim como Gessinger, segui em frente. E ali, naquele exato momento, começou o Literal. Não sabíamos disso, é claro – se, nesse mundão de meu Deus, é possível saber de alguma coisa. No entanto, para efeitos de cronologia, ali foi apertado o botão de ligar.

Gaiman não só consolou o meu coração. Gaiman abriu-me os olhos. Gaiman fez eu me reconectar com uma Thaís perdida há muito. Tudo bem que a grana é quem paga as contas, mas só isso é muito pouco. Não acham? Aquelas coisas que fazemos por prazer, que fazemos porque gostamos e porque nos divertimos – essas, sim, são as que contam. Foi para essas coisas que Gaiman chamou minha atenção.

Sempre gostei de literatura e de escrever. Romances, de preferência. Acontece que eu travei. Dos 20 anos até outro dia, quando tivemos essa conversa, senti que não sabia mais como escrever. As ideias e as histórias, todas na minha cabeça, sem saber como colocá-las em ordem. “Ué, não és jornalista?”, alguém pode perguntar. O jornalismo deu-me técnica, deu-me agilidade e dessensibilizou-me até certo ponto. Literatura e jornalismo são primos e podem até se hibridizar, para usar um termo da Academia; porém: ado-a-ado-cada-um-no-seu-quadrado.

Ela sempre gostou de ler – isso eu sabia. Ainda que nunca tivesse visto/lido como/o que ela escrevia, jamais duvidei de que eram sábias palavras; que eram palavras de quem tem, de fato, algo a compartilhar com o mundo. Até que um dia ela me mostrou e foi a minha vez de devolver o conselho: “publica, Taia!”. O mundo precisa ouvi-la e sorte de quem tiver os ouvidos para escutá-la. Sei que, um dia, as palavras dela estarão no formato de livro – que é a maior paixão dela, sem dúvida. Mas aqui entra, de novo, a Academia: livro é formato. O importante está no conteúdo.

Aliás, “foquem no conteúdo” foi outro conselho que ambas recebemos do Leandro – o padrinho dessa história. O que eu havia aconselhado para ela, investir em ferramentas digitais para compartilhar/divulgar textos literários (ou não), de alguma forma, era o que eu queria também, mas não sabia como organizar – como ainda não sei. Por sinal, deve ser uma chatice saber de tudo, não? O bacana dessa aventura é que ela tem começo e, honestamente, não quero saber do final.

Taia, obrigada por me apresentar ao Gaiman. Gaiman, obrigada por me fazer sentir viva novamente. Leandro, obrigada por acreditar em nós. Amigos e apoiadores do projeto, bem vindos!!

E que comecem os jogos...