Literal

Na busca por um lugar no mundo das palavras, a seção reúne textos em prosa e com poesia. São contos, crônicas, tentativas de folhetins. Histórias inspiradas na própria vida e, também, imaginadas pelas cabecinhas adolescentes de Taiana Homobono e de Thaís Braga.

'Thá, já leste Gaiman?'

'Acho que não. Fale-me mais sobre.'

'Ah, é um cara genial, que escreve literatura fantástica e tem um olhar incrível sobre o mundo. Ele fez um discurso sobre tentar, errar, fracassar, ousar. Tens que ler.’

 

No meio de um daqueles dias em que tudo é um pouco caótico e triste, havia pouco que eu pudesse dizer. Talvez porque me encontrasse no mesmo caos, talvez porque eu sonhasse junto com ela. Talvez, apenas e principalmente, porque o meu único conselho para todas as situações seja: leia um livro.

'Leia o "Faça Boa Arte". Acho que vais gostar.’

 

Eu poderia continuar contando esse diálogo. Acontece que eu sou terrível para lembrar exatamente o que foi dito. Provavelmente, irei distorcer frases, empobrecer a conversa, inventar o que não existiu, fingir que fui mais sábia. E, acontece, principalmente, que esse não é o motivo de estar escrevendo. 

 

Nesse momento, começamos um projeto que nunca foi nosso. Sempre foi uma ideia solitária de cada uma de nós. Nunca foi nosso e já parece nunca ter sido um sonho isolado. E nesse momento, quando já nos é tão um projeto, um filho, a idéia diária e fixa, parece que voltei a ser uma adolescente ansiosa. Todas as dúvidas da vida surgem: E se eu esquecer? E se eu errar? E se for ruim? E se todo mundo apontar o dedo? Surgem também todas as certezas que regem os sonhadores: Vai ser importante! Vai ser desafiador! Vamos lá, e seja o que as palavras nos permitirem! 

Talvez a gente perceba que não sabe bem o que escrever. Talvez tu leias coisas que não concordes. Quem sabe, eu torça o nariz para muitas das tuas ideias. Com sorte, nada disso acontecerá. Com mais sorte ainda, conseguiremos ver a beleza das diferenças. E se nada disso ocorrer, pelo menos, daremos as mãos e seguiremos lembrando que Gaiman nos disse para cometer erros, para fazer de cada passo uma aventura, para fazer boa arte. 

 

Então, combinemos assim: escreveremos, enquanto pudermos, até aprendermos a escrever. Enquanto isso, seguiremos errando e tentando.

...

E esse é o meu lado da história. É o que eu lembro ou inventei sobre o início do Literal. É um pouco uma "variação do mesmo tema". Porém, eu quis conta-lá por dois motivos:

1) Eu enviei à Thaís "esse rascunho sem vergonha" e a resposta dela foi: 'Estou escrevendo sobre isso também. Sobre como Gaiman nos uniu.' E isso é sintonia. E nisso eu acredito, viu, Thaís?

2) É tudo culpa do Gaiman, sim. E também do Gessinger, que fica martelando na cabeça da gente sobre fazer as coisas por amor às causas perdidas. Da JK, que insiste que não vale a pena só sonhar e esquecer de viver. E até mesmo, veja bem, há certa culpa do Logan que, em um rompante de sabedoria, insistiu que as pessoas vivem 100 anos sem viver de verdade por 1 minuto.

Thá, agradeço a confiança de saltar comigo nesse mundo de palavras. Agradeço por me dar coragem. Agradeço por não me deixar sentir medo sozinha. Vamos que, no mínimo, vai ser uma aventura, uma coisa boa, algo, realmente, divertido!

Aos que quiserem nos ler, desejo, sinceramente, que façam uma boa viagem.

Taiana Homobono